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Economia criativa como estratégia de desenvolvimento marca encerramento de fórum

Após percorrer as cinco regiões do país, o Fórum Brasil Criativo + Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa encerrou nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, um ciclo de debates, escutas e construção coletiva voltado ao fortalecimento da economia...

Por Assessoria Pantanal Editorial — 18 de junho de 2026 — 5 min

Foto: Juliana Uepa/MinC

Após percorrer as cinco regiões do país, o Fórum Brasil Criativo + Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa encerrou nesta quinta-feira (18), no Rio de Janeiro, um ciclo de debates, escutas e construção coletiva voltado ao fortalecimento da economia criativa brasileira. Promovido pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Economia Criativa, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e com execução do Instituto BR, o encontro reuniu gestores públicos, pesquisadores, empreendedores, artistas e agentes culturais para discutir caminhos para o desenvolvimento do setor.

O encerramento foi marcado pela apresentação das cinco cartas regionais elaboradas ao longo do Fórum. Os documentos consolidam diagnósticos, desafios e propostas debatidos em cada região do país. No Sul, o tema central foi Ecossistemas Culturais e Criativos: Territórios, Redes e Governança; no Norte, Panorama das Políticas Públicas de Cultura e Economia Criativa; no Nordeste, O Audiovisual e o Potencial Estratégico dos seus Ecossistemas Culturais e Criativos; no Centro-Oeste, a formação, qualificação e capacitação de trabalhadores(as) da cultura e da economia criativa; e, no Sudeste, o debate esteve voltado ao fomento e financiamento da economia criativa.

Ao encerrar o ciclo do Fórum, a secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, destacou que as contribuições construídas ao longo da jornada nacional serão fundamentais para a elaboração da Política Nacional de Economia Criativa – Brasil Criativo.

“Não sei se vocês acham isso, mas o acabar é o começar, na verdade. Porque a gente caminhou pelo Brasil nesse Fórum para chegar aqui hoje”, afirmou.

Segundo a secretária, o conjunto de propostas reunidas durante os encontros fortalece e legitima o processo de construção da política nacional.

“Tudo o que fizemos, tudo o que caminhamos, todas essas cartas produzidas, tudo o que aconteceu, nos ajuda e legitima a criação da Política Nacional de Economia Criativa – Brasil Criativo. O que a gente quer é uma política nacional de cultura dentro do desenvolvimento deste país. É isso que todos nós queremos”, destacou.

Cultura como infraestrutura para o futuro

A mesa de encerramento, intitulada O Brasil Criativo que Sonhamos, reuniu representantes de instituições, empreendimentos e organizações que atuam na formulação de políticas públicas e no fortalecimento da economia criativa em todo o país.

A diretora-executiva da Feira Preta, Adriana Barbosa, defendeu a construção de uma tese de impacto para demonstrar o papel estratégico da economia criativa no desenvolvimento brasileiro. Segundo ela, é necessário evidenciar não apenas os valores simbólicos da cultura, mas também sua relevância econômica, ampliando sua capacidade de diálogo com diferentes setores da sociedade.

“O Brasil Criativo que sonhamos não é um país que financia a cultura. É um país que reconhece que a cultura financia o futuro. A cultura está na centralidade. O Brasil Criativo que sonhamos é aquele que deixa de tratar a criatividade como exceção e passa a tratá-la como infraestrutura de desenvolvimento”, afirmou.

Adriana ressaltou ainda que o país já possui uma potência criativa consolidada em diversos territórios, mas que essa riqueza ainda carece de reconhecimento, infraestrutura e investimentos compatíveis com sua relevância.

“O Brasil que herdamos já começa reconhecendo a potência existente. Não estamos aqui para inventar um Brasil Criativo. Ele já existe. Nos terreiros, nas periferias, nas favelas, nos quilombos, nas festas populares, nas cozinhas, nas tecnologias ancestrais, na economia preta, na bioeconomia, na economia indígena. O problema nunca foi falta de criatividade. O problema sempre foi falta de reconhecimento, infraestrutura e investimento. O Brasil Criativo que queremos construir supera a lógica de financiar criatividade como quem financia um projeto isolado. Precisamos financiar criatividade como quem financia um setor estratégico da economia”.

Redes, continuidade e reconhecimento

O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, João Alegria, destacou que a economia criativa depende de um conjunto de condições para se desenvolver plenamente. Para ele, além da formação, é necessário investir em mentoria, redes de colaboração, infraestrutura, acesso à tecnologia, produção de dados qualificados e continuidade das políticas públicas.

Alegria também chamou atenção para a necessidade de ampliar o reconhecimento de atividades culturais e criativas que movimentam economias locais em todo o país, mas que muitas vezes não aparecem nos indicadores econômicos tradicionais. Segundo ele, manifestações populares, mestres da cultura e iniciativas comunitárias geram riqueza, trabalho e renda, mas ainda permanecem invisibilizados por parte das estatísticas e mecanismos de mensuração.

Desenvolvimento a partir dos territórios

Para o fundador do Circo Crescer e Viver e presidente do Instituto Circomum de Arte, Cultura e Inovação Social, Junior Perim, a economia criativa possui potencial para transformar o modelo de desenvolvimento brasileiro, especialmente quando pensada a partir dos territórios.

“Acredito que a questão é a capacidade para transformar o país. Mudar modelo de desenvolvimento requer uma certa dose de loucura, de utopia. A grande inovação que surgiu foi a possibilidade de pensar ecossistemas territoriais para o desenvolvimento da economia criativa ou para a construção de territórios sustentáveis. A gente precisa pensar a partir do território”, afirmou.

Representando o Sebrae Nacional, o gerente de Políticas Públicas, Augusto Togni, reforçou a importância da articulação entre governos, instituições, empreendedores e agentes culturais para fortalecer os ecossistemas criativos brasileiros. Segundo ele, a construção de redes de cooperação e o fortalecimento dos territórios são fundamentais para ampliar oportunidades e consolidar a economia criativa como vetor de desenvolvimento econômico e social.

O encerramento do Fórum Brasil Criativo + Seminário da Rede de Cultura e Economia Criativa contou ainda com a apresentação da bateria do Salgueiro, celebrando o fim de um ciclo de escuta, articulação e construção coletiva que percorreu todas as regiões do país com o objetivo de contribuir para a construção de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da cultura e da economia criativa brasileira.

Assista ao encerramento pelo canal do MinC no YouTube, além das aberturas de todos os fóruns regionais.

Fonte: Ministério da Cultura — MinC

Publicado em: 18 de junho de 2026

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